sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

"A felicidade só é real quando partilhada"

Estou aqui quieto, quase imóvel e sem pensar. Parece que viajo ao passado e sinto-me a viver com visão em túnel, como se de adrenalina se tratasse. Não... deve ser um misto de apatia com ansiedade; uma sensação de falta, angústia serena, vontade de ficar quieto, imóvel, congelado. Não penso... não me concentro... apetece-me sair daqui, e voar, nem sei bem para onde, mas seguramente bem longe e lá para cima... onde ninguém me visse nem sentisse! Onde eu me pudesse perder, mas estar sempre pronto para picar em direcção ao chão, na tua direcção! É certo, quase não me consigo mexer mesmo! À minha volta nada acontece, nada muda. Tudo igual! Mudam as água, as roupas, mas é tudo mais do mesmo, sem novidade ou coração! As sentenças mudam a vida, dão sabor ou tiram sonhos, modificam presentes e passados, evitam futuros, rolam lágrimas, despedidas forçadas, jamais equacionadas ou aceites. Por isso chamo à vida um "oceano"... e sou realmente um simples e mero barco, que navega bolinando, de peito aberto e mão a roçar a crista das águas, momentos em que as lágrimas perdem o sabor por se misturarem com os salpicos do mar, e a música deixa de se escutar... e a toda a volta apenas água e mais água; deixa de interessar se é para a direita, esquerda... a toda a volta água... sem luz, nem Farol, tudo se apaga... até que os meus olhos se fecham e deixo de pensar, de me importar, isolando-me do frio da vida no meu casulo especial, construído de cinzas e habitado por sonhos, alguns acabados, outros sonhos sonhados, os mais difíceis, os mais complicados. E a Luz apaga-se e com ela eu também me apago; e sigo agora nem sei para onde, bolinando ao sabor do vento, com a alma encolhida, tolhida, com frio. Não há luz à minha volta. O Meu Farol apaga-se e eu com ele, nas últimas palavras que lhe escrevo, na última lágrima que rola, no último gesto de carinho que tenho, na minha despedida, no meu momento final. A vida é mesmo assim! Há capítulos que se encerram, há morte e há vida, há paixão e desilusão. E há a tranquilidade, o desejo de ser mais e melhor, de sorrir, de sorrir sempre, de viajar perdido na ilusão da felicidade, dos bons momentos, do companheirismo e da saudade! Principalmente da saudade! Assim recolho as velas, e sento-me no banco da realidade e, num impulso final, dou largas à imaginação, e procuro encerrar um capitulo de sonho, de magia, de puro encanto e sensibilidade. As palavras só não chegam para provar nada, quando não nos podemos aproximar e usar do carinho de uma mão, da força de um olhar e do conforto de um sorriso para provarmos o que escrevemos. E esta distância é mais inultrapassável do que qualquer onda do mar; apenas porque esta distância é humana e o mar faz parte da divindade da Natureza; o ser humano sobrepõe-se a tudo o construído pela Natureza, mas não se consegue sobrepor às muralhas construídas por si próprio! E para estas nem sempre há força, nem sempre há mérito. Estou perto, sempre perto, como se um fantasma fosse. Uma mera alma, sem destino, numa luta desconhecida mas com uma intenção muito declarada, jamais escondida. "A felicidade só é real quando partilhada" - Christopher McCandless

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