domingo, 7 de fevereiro de 2010

Espectáculo de uma alma...

Cheguei cedo para não perder pitada! Sentei-me naquele lindo banco vermelho, mesmo ali em frente ao mar! Hoje é dia de marés vivas e quero retratar o máximo que conseguir, vibrando com as ondas, a sua altura e com os voos ao desafio de gaivotas loucas por Capelo! Enquanto ali estava, quieto, imóvel, deslumbrado, sentia atrás de mim os passos apressados de quem não tem tempo para estas maravilhas! Carros paravam e arrancavam, pessoas saíam e conversavam, passando rapidamente por mim, sem sequer me notarem! Eu só esperava por ti! Mais um carro, mais passos, mais vozes que tanto se aproximavam como se desvaneciam num horizonte que era mesmo ali! Ora parava um autocarro, ora parava outro! E eu sentia a diferença pelo volume de vozes! Como que por instinto, dava por mim a separar as vozes e a dissecá-las, esperando que uma delas fosse a tua! Mas encontrava sempre o meu silêncio, perdido na minha busca. As vozes iam e vinham, ora se escutavam ora estavam distantes. Em momento algum consegui isolar a tua voz no meio de todas! Porque tu não apareceste, e aquele lugar vago, ali mesmo ao meu lado ficou frio, deixou de fazer sentido. E quando realmente me apercebi que jamais teria do meu lado o privilégio da tua voz, as ondas deixaram de fazer sentido, deixaram de correr! As gaivotas regressaram a terra segura e miavam em consolo. O espectáculo da alma acabava e com ele aquele meu sonho tão simples! Deixei o meu banco, peguei nas minhas coisas e continuei... sozinho! Afinal porque espero por quem nunca vem?

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