segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sonhos que se realizam

Sentei-me na praia e olhei para uma estrela cadente que passava; ela olhou para mim; em segundos disse-lhe que queria realizar um sonho e ela, ao de leve, aproximou-se de mim e fechou-me os olhos! Senti o mar ali perto, sussurrando poesias que eu não percebia! E de repente vejo-me num sítio que não conheço, sem nada à volta que me parecesse familiar! Ao fundo um vulto desenhava-se cada vez mais depressa numa sombra que se aproximava de mim de sorriso rasgado. Reconheci aquele vulto quando o meu coração disparou e queria sair do peito. Fui ao seu encontro; quase tropeçava, tal era o desejo de chegar mais rápido, de correr! Foi um sorriso que nos abraçou enquanto nos abraçávamos! Foi uma sensação de alegria, um misto de loucura inebriante, daquela sensação relaxante de estar ali, de a encontrar, de lhe poder finalmente tocar, envolver, proteger, dando-lhe parte de mim, sorrindo-lhe e dando todo o meu carinho a cada toque, a cada olhar, a cada palavra proferida. Com os olhos fechados, senti-me menino; voltei atrás no tempo e fui feliz cada milésimo de segundo que ali estive! E quem me dera que o tempo tivesse parado! Desejei ter um aparelho que parasse o tempo! E passar ali mesmo uma vida inteira e quando regressasse ter ainda passado um minuto apenas! E os segundos foram passando e a minha felicidade andava perdida numa caminhada divina e indescritível! É assim que conseguimos ser felizes, momento após momento, segundo após segundo: ao lado de quem nos abre, de quem sabe falar-nos ao ouvido, chamar-nos de "poeta" e sorrir com a alma e com um simples toque da sua mão, levar-nos à distante galáxia dos sonhos, onde podemos admirar à distância as crianças a brincar na areia, sem preocupações, felizes e sorridentes, tal como eu próprio me sentiria naquele preciso momento. Enfim... abri os olhos, e quer tenha ou não acontecido, fui feliz! Fui menino! Fui criança! Ali ao lado do meu mar, debaixo do meu Farol, a minha testemunha do bom e do mau, perante aquela linda estrela cadente, eu senti-me vivo. Deixei-me cair sem forças para trás, sentindo a areia fria nas minhas costas! E foi ao tapar os olhos com as mãos que senti o teu cheiro em mim... afinal, estivemos lá!

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