quinta-feira, 10 de junho de 2010

... hoje é Dia de Portugal...

... hoje é Dia de Portugal... tenho pensado muito e nada de bom me ocorre escrever sobre isso... não me sai da cabeça que neste dia há muita gente a aplaudir uma selecção luso-brasileira... e o acordo ortográfico é brasileiro-luso... e o Sócrates é Primeiro-Ministro! Até sinto pena do Carlos Cruz! E penso na Galp que não baixa os preços, mas vende a merda da vuvuzela para estourar os tímpanos aos putos, pais e vizinhos! Ainda tenho em mente a saída triunfal do assassino confesso do tribunal de Gaia, inocentado porque os nossos legisladores estavam com uma grande dose de droga quando escreveram em tom de diarreia o Código de Processo Penal! Mas sim, hoje é o Dia de Portugal! Um país lindíssimo, cheio de mulheres bonitas, de paisagens maravilhosas e um Parque Nacional que deveria ser protegido pela UNESCO! Somos excelentes anfitriões, cozinhamos como ninguém (falo por mim), temos praias maravilhosas, temos tremoços e Super Bock! Somos o país do garrafão, do vinho verde e do maduro, da chouriça, da broa, da sardinha assada! Somos o país dos cientistas que emigram, e daqueles que cá ficam a ganhar menos que um beneficiário do Rendimento Social de Inserção! Ah, e somos o país desses também, dos que ganham mais por mês de RSI que muitos trabalhadores ganham na fábrica, no campo, ou até numa caixa de supermercado! Somos o país que não cobra impostos aos inúteis do RSI, mas desgasta o salário humilde de quem trabalha em contribuições e percentagens; isentamos uns de taxas hospitalares e aumentamos para os outros, na certeza de que quem recebe o RSI não pode ser prejudicado mensalmente na dose diária de branca ou cavalo ou até nas sandes e loiras nos cafés do cerco! Rimos ao ver um touro ser cruel e barbaramente mal-tratado em praça pública, e dizemos que isso é cultura, virando os olhos ao lado quando se fala em direitos dos animais! Somos todos protectores das polícias, mas cuidado, não façam mal ao criminoso, coitado! Na cadeia não há RSI! Admirem-se! Choramos a ouvir o Fado e rimos ao ver o Samba e nem sabemos bem quem é quem! Eu gosto de Fado, mas só o de Coimbra! E somos assim, Portugueses! Cultura ímpar, espalhada por todos os países do mundo, reconhecidos internacionalmente pelos futebolistas que sabem chutar umas bolas lá fora e fazer umas coisas bonitas! Não, não critico o Mourinho; esse tem mérito! Pena não ter feito um part-time na selecção luso-brasileira! Como é possível termos tanto de bom e não o sabermos aproveitar? Quantos Portugueses existem, anónimos por esse mundo fora, cidadãos de sucesso e futuro, a quem nós não podemos agradecer?! Quantos Portugueses serão, nos Estados Unidos, exemplos verdadeiros de cidadania, empreendedorismo e criação de emprego? E cá? Belmiro de Azevedo a pagar salários miseráveis no Continente? Darmos tempo de antena aos pedófilos, em vez de entrevistar quem quer falar de soluções, de criação de emprego justo, de ideias para o futuro? Engraçado que num país como o nosso se cultive tanto a personalidade do “merdas”, do corrupto, do político fachada, do pedófilo, do sucateiro! Um Ministro estúpido pode vir “mandar bocas” porque um Presidente da República apelou àquilo que é nosso e deve ser valorizado, aproveitado e vivido! E isto passa assim, impune, sem respeito, sem uma palavra; e eles governam(-se)! E nós ficamos pobres, perdemos qualidade de vida, mas não perdemos a boa maneira Portuguesa! Amanhã é outro dia, e os bancos vão baixar os spreads, e já podemos endividar outra vez! Fica mais barato! Justiça? Não faz mal, não há, vai-se tendo para os ricos e o pobres até precisam de locais alternativos para viver onde a comida seja razoável e grátis (não esquecer que temos a ASAE, que ao menos funciona muito bem!)! Sou Português? Com muito gosto!

terça-feira, 8 de junho de 2010

Afastado....

Quando o tempo escurece fico mais ausente daquele que é verdadeiramente o meu refúgio; quando perde o sentido, nem que seja por breves momentos, um fugaz piscar de olhos em que décadas passam à frente! E assim deixo de escrever! Não que não pense ou sinta, ou até que perca a vontade de me exprimir; são sensações que nada dizem ou, sendo até tão "secretas", não haja coragem para as partilhar! Dizia-me alguém há dias: "Tu tens coragem para escrever o que te vai na alma!" - e eu respondi: eu escrevo aquilo que me vai na Alma, quando acho que isso vai criar um sorriso, um momento agradável em quem lê; tento ser justo; mas ao mesmo tempo contrario-me, porque se escrevesse aquilo que muitas das vezes atravessa a minha alma, muita gente deixaria de me "ler"! Sinto falta daqueles dias... os dias em que a inspiração acompanhava a minha vida de forma mais permanente! Talvez nesses dias houvesse também mais motivos para sorrir! Hoje dou por mim a deambular pelos pensamentos, meio perdido, magoado, sem grande vontade de sorrir; deve ser da chuva que brindou todo o meu dia! Também eu estou "cinzento"! Sinto uma falta "desgraçada" de todos aqueles meus momentos matinais em que escrevia meia dúzia de palavras simples, articuladas em frases, pedaços de poesias soltas, que voavam para lá do horizonte tipo flechas... sinto mesmo a falta disso! É uma mágoa diária! É o começar a escrever e não passar das primeiras duas ou três palavras! Não há vida na qual a força da palavra e do carinho não deixe o seu eco! E como disse Derek Morgan: "Todos nós temos muitas pessoas nas nossas vidas! Umas são boas, outras más! Mas todas elas nos moldam!"