terça-feira, 7 de setembro de 2010

Aponto...

Aponto as datas e as horas, minutos e segundos... e fico aqui quieto, sentado, a contar o tempo que passa! Fixo os olhos no horizonte, inspiro profundamente, e encosto a cabeça aos meus sonhos, aos meus anseios e vontades! Vontades e desejos misturados num saco sem fundo, onde a minha mão entra e nada sai, porque não chega ao fundo! Conto os segundos que passam alto, para não me esquecer dos números, tal demora a chegar a resposta que nunca vem! Observo atentamente tudo o que se passa à minha volta; tenho que entreter a minha mente, para que o tempo não custe, seja célere, amigo e divertido; mas nunca nada é assim! É sempre o contrário! Nunca nada passa suficientemente rápido para que não se fique à espera! E canso-me de esperar pelo que não acontece, por quem não vem, por quem nunca cá esteve! E é óbvio que fui traído pela minha própria ingenuidade, e é ainda mais óbvio que aquilo que eu quero não existe, nem nunca existiu. Serei eventualmente um ser inconformado e sonhador, com os medos que todos têm, com as esperanças e sonhos que todos desejam! Mesmo nesta conclusão, continuo sentado e quieto, com frio e molhado, e aponto as datas e as horas, minutos e segundos, daquilo que não vem, que não existe, e deixou de ser um sonho para ser uma ilusão, rabiscada de pesadelos, daqueles que trovejam ao canto da Alma, e deixam rastos de solidão...

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