domingo, 26 de setembro de 2010

Choveu e à chuva eu dancei!

No dia em que acordei sozinho percebi que nada havia à minha volta; encontrava-me sozinho, da forma que sempre me definiu, da forma que sempre me protegeu! Acordei sem saber para onde ir, sem saber quem ali esteve, sem perceber o sentido do acordar assim. Assim não vale a pena - pensava eu! Senti a fragilidade de todos os segundos que me abordavam com questões sem resposta! Senti a frieza da manhã, e nem o sol me aquecia a alma. Se houve um dia em que estive verdadeiramente sozinho foi aquele! Não me recordo de outro! E eu sei quantos dias passei sozinho, sem abrir sequer a boca, falando com os pensamentos, comigo mesmo, nos milhares de quilómetros que percorri já sozinho! Aquele dia em que acordei sozinho está presente em mim, em todos os meus espasmos de vida aparente, solitária e amarga! Choveu, e à chuva eu dancei, misturando os gritos da Alma com as lágrimas e as gotas da chuva que me abraçava! Se alguém me acusava de ser frio, hoje sou gelo; se alguém me acusava de não me importar, hoje eu não sei, nem quero; se alguém me acusava de ser solitário, hoje é assim que eu estou bem! Fechei-me e, tal como eu sabia que ia acontecer, deambulo... para lá dos sentidos das coisas, obviamente perdido, mas feliz à minha maneira, sorrindo e guardando para mim a lágrima daquele momento, que se cravou na minha face, como um rio imaginário, que não seca, nem gela, mas corre sempre em direcção ao infinito. Essa é a definição da minha tristeza, do momento escuro da minha alma; é a minha definição de saudade! É um pedacinho de mim perdido no meu espaço, no oceano que me afasta daquilo que eu tanto quis! E por segundos, estive lá! Mas porque será que isso não me conforta?! Eu sabia que não ia saber descer! Eu não sabia era distinguir o sonho da ilusão e perdi-me na minha própria ilusão, por estar viciado na minha adrenalina! Eu acordei sozinho, por não saber distinguir o sonho da ilusão, nem tão pouco descer da montanha de virtudes. Eu falhei, superei-me a mim próprio e, deambulando, já sei que algo hei-de fazer! Sei, no entanto, reconhecer quem está ali, bem perto, e perdoem-me esses os segundos em que não sorri ou não mostrei que ali estava porque ando distraído, mas registo!

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