terça-feira, 12 de outubro de 2010

Condenado

É ali que devo ficar sentado, enquanto observo; observador compulsivo, sem casa, sem mar, sem sonho! Desenvolvi um gosto muito peculiar por estar ali sentado, quieto, a admirar aquilo que cruza o meu caminho, que segue os meus passos! Sinto-me criança no baloiço tentando tocar ao de leve nas bolas de sabão que voam livremente à minha volta! Não pelo sonho de lhes tocar sem rebentar, mas com essa ilusão, com essa vontade! Persegui-las no seu voo livre e errante, deixá-las aterrar na palma de minha mão, tocar ao de leve, e soprar para as afastar! Sentir que, invariavelmente, aquilo que gira à minha volta faz parte da minha imaginação e, num abrir de olhos, já não existe, evaporou, rebentou, nunca lá esteve! São estas sensações que me embalam, para a frente e para trás, e fazem-me sentir a tranquilidade destes raros momentos a sós! Afinal continuo no baloiço e sou livre de escolher o que quero admirar! Afinal, basta-me fechar os olhos e sonhar! Voar para bem longe de tudo! Condenado a deambular a eternidade!