segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

...constante solidão...

... longe do dia e do momento em que ousei passar a barricada, penso agora na vontade daquele salto, daquela mão estendida lá ao longe, com dedos finos e esguios, fria, que me tentava agarrar em segurança! Penso no dia, na noite, naquele frio que me saia da expiração e se transformava na nuvem do que não fumo, na sensação enregelada que congelava a barriga e impedia as formigas de saltar! De olhos fechados delicio-me com a sensação de estar ali perto, de poder observar para além do percebido, mas continuando à deriva com tudo o que não percebo, mas gostaria tanto! Sinto tanto a falta do meu conforto, sinto tantas saudades do meu porto, preciso tanto do silêncio do meu mar! Estático no meio da rua, de olhos fechados e braços abertos, respirando lentamente e com a sensação de frio nos pulmões, sentindo o toque suave do vento gelado na ponta dos meus dedos e nariz, absorvo tudo o que passa, sinto o movimento imortal de tudo aquilo que me rodeia. São sons, pedaços de frases, risos, insultos, latidos, sirenes, travagens, apitos! É tudo e ao mesmo tempo é nada, é a minha constante solidão que não me larga!

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