domingo, 16 de janeiro de 2011

"Mea Culpa"!

Houve momentos na minha vida que foram sempre brindados pela escuridão dos momentos, ausência absoluta de sentimento, mesmo quando ele seria merecido. "Mea Culpa"! Aprendi a construir terríveis muralhas à minha volta, impossíveis de derrubar ou escalar. Por isso é que, de lá de cima, me tornei um tão bom observador. Mas isso nada justifica. Isso não perdoa, ou revoga os meus erros. Os meus momentos implacáveis, nas palavras, nos actos, ou na omissão destes. "Mea Culpa"! Tudo o que nos faz bem, tende a acabar de forma insuspeita; por estas coisas é que acabei por ser mais frio, mais ausente, mais canalha, mas sempre, e já classicamente sozinho! Mas sobrevive-se! À heresia do sentimento, da verticalidade absoluta e inatacável! Ao momento doce e delicioso da nostalgia silenciosa que me tem vindo a corromper ao longo dos anos. Às horas passadas em frente a um oceano que nada devolve, nem dá, nem tira, consola no breve momento em que a vaga inunda a areia que abraça os pés descalços. Hoje o segundo é triste, o olhar torna-se a fixar-se no horizonte longínquo do costume, o peito fica pequenino, as mãos frias e duras, os lábios cerrados sem forma de abrir, de mostrar carinho; as palavras não saem, não se formam, não aquecem! Hoje as horas não passam, não existem, são frias e distantes. Hoje precisava de me erguer acima de mim próprio e de conseguir atingir a estrela que não brilha, aquela que me faz "mimir" em conforto, na doçura do embalo do sorriso da gaivota que já não voa! "Mea Culpa"! Por todas as vezes que deveria ter partido rumo a destino incerto, ausente, desconhecido, aquecido pela certeza do prazer dum mero segundo contra qualquer parede, em qualquer lugar, mesmo no mais profundo quarto escuro da minha alma queimada! "Mea Culpa" pelo bicho em que me tornei, quando já nem o conforto me aquece. Frio, pensamentos gélidos, palavras sem sentido... resquícios e pedaços de um alma blindada, do momento que não quer ser passado!