sexta-feira, 27 de maio de 2011

... cadeira vazia!

A estranha sensação da cadeira vazia, ali parada no meio da praia, tendo o mar pelas pernas, numa tentativa inútil de a derrubar! A estranha sensação da solidão da distância, de estar onde se deve estar, mas longe do espaço que não nos pertence, mas é "nosso" de forma peculiar e dúbia! Um nobre amontoado de dúvidas, de hesitações, de sinais amarelos e vermelhos! Difícil eficiência daltónica naquilo que é a cor dos olhos, à sombra da vida, admirando um pouco do que já não existe, mas mantém memória intemporal, doce, sorridente! Ondas esquisitas, envoltas no sal que não se vê, nas algas verdes e escorregadias, que teimam em derrubar a cadeira que permite admirar para lá do horizonte da nossa mente, dos nossos sonhos! Pedaços de tudo e nada, resquícios de ideais, lealdades e venenos inertes à pena que escreve! O tempo vai passando e as nuvens correm na direcção do vento que silenciosamente acaricia as faces expostas a tudo! (sorriso vincado) Deixa de haver um sítio, um local, um mero refúgio para as palavras que já não nos safam! Tudo é demasiadamente óbvio, sem aquele sentido determinante do amanhã! Mas tudo isso faz crescer, faz desenvolver crescente admiração pelos momentos de solidão programada, onde se descansa a alma na paz que o corpo descobre num qualquer lugar que nos acaricie e abrace!