segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Abrigo

E quando nos habituámos àquela visão matinal do rio que desagua no mar, tranquilo, sem uma onda que denuncie a pressa da união, da mistura salgada, do segundo imprevisível, sem sítio, mas que é por ali? Ao sol que nos entra janela dentro, já quente e ainda a névoa matinal não desapareceu?
A cada dia que passa, a sensação de estar "em casa" é cada vez mais doce, mais forte, mais óbvia; já custa sair dali, afastar, não regressar, hoje ou amanhã. É a casa do futuro, até um amanhã. Uma das vantagens da vida, é que tudo pode ser transportado, em caixas, no coração, em sonhos e em pedaços para qualquer outra parte do mundo! E levamos sempre tudo, nada fica para trás, a não ser aquilo que não quisermos. Mas aquela vista, ninguém ma tira! É nossa! Aquece manhãs, e adoça as noite, e torna-se mais fascinante ainda quando o nevoeiro ajuda. E assim, um espaço se torna casa, e dá abrigo a uma alma habituada a voar!