terça-feira, 2 de outubro de 2012

... não regressarei!

Mais um Verão depois e há coisas que não mudam: continuo ali próximo, gosto de molhar o pé, sentir a água pelas pernas, sentir o frio, saborear o sal no ar, apreciar o som das ondas que se enrolam e nos rodeiam; mas é só mesmo isso! É ficar ali, mesmo no início do (grande) oceano, e apreciar a sua beleza, a sua delicadeza, a sua imensidão; sorrir com as brincadeiras de gaivotas, e invejar aqueles destemidos que mergulham, onda após onda, para dentro de um universo desconhecido, e regressam acima deliciados e salgados! Eu e o mar cá nos entendemos: ele sabe que eu fico apenas ali, não por medo, ou falta de ousadia, mas por respeito, contemplação; a mim chega-me perfeitamente ficar ali à porta, e ali ficar, segundos, minutos, o tempo que, na verdade, me apetecer! E o mar não me leva a mal! O mar compreende-me e respeita-me: as ondas tornam-se deliciosamente leves, trazem acima a melhor espuma, e não são tão brutas na rebentação! Contudo, fica sempre o cheiro do mar, a maresia que tanto me inebria! É que, enquanto ali estou, observador atento (e compulsivo), viajo para lá do horizonte, planando mesmo em cima da crista da onda, raspando a ponta dos dedos ao de leve, na água, como um carinho, uma sensação húmida de mergulho! Vou lá e volto, mas nunca lá entro; o mar sabe! Sabe que no dia em que entrar, não regressarei!