quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Nelson Mandela (18 Julho 1918 – 5 Dezembro 2013)

Invictus

Out of the night that covers me,
Black as the Pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.

In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed.

Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds, and shall find, me unafraid.

It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll.
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul. 

 - William Ernest Henley

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

"Indiferença"

Já há muito tempo que não escrevia; não que me faltasse a vontade, ou algo que dizer; simplesmente há tempos em que tudo passa e a indiferença nos habita. Há anos que defendo que a "indiferença" será uma doença profissional devidamente certificada e a sua cura uma verdadeira utopia para muitos. A resposta está no mar: na vontade de cortar as ondas, de mergulhar e tocar o fundo com as pontas dos dedos, de regressar acima e saltar acima da espuma da onda, colando o olhar no céu que nos cobre. Fico sentado tempo infinito observando o vaivém das ondas e nunca me canso; cada uma tem um percurso diferente, um "timing" distinto e cada momento, cada segundo é uma inspiração de ideias, de crescimento, da tranquilidade do momento. Assim se esvai a poesia, pelas pontas dos dedos enterrados na areia fria, apesar do dia quente, já em fim de Verão, em fim de ciclo. Amanhã será outro dia, o cansaço despede-se e não há "indiferença", há caminhos a percorrer; a batalha de hoje já foi, venha o amanhã porque o meu sorriso fica, afinal, já cá está.

Citação:
"Vivemos todos sob o mesmo céu, mas nem todos temos o mesmo horizonte." - Konrad Adenauer

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Talvez eu esperasse por ti...

Talvez eu esperasse por ti: no mesmo sítio de sempre, dia após dia, ano após ano! Sentiria a lua e a chuva; sentir-me-ia envelhecendo com o tempo, enrugando feições e perdendo a visão; mas nunca a alma ou a serenidade! Tentaria nunca perder a noção da relatividade do momento, das horas que demoram meses a passar! Tentaria não ceder à memória já velha e cansada! Afinal, vive a minha alma da doce recordação do teu sorriso! E eu espero, porque esse é o meu destino! Esperar, por quem nunca vem! Ter a fé que preciso para aguentar a intempérie que me assola a alma e me lava e leva as emoções e a razão, sofrendo desmesuradamente, qual veleiro perdido no meio da tormenta, sem mastros, despido, sozinho, numa deriva perigosa! E eu ali: de braços abertos, esticados para tocar lá longe, e os olhos postos lá no alto de onde a chuva cai, saboreando cada gotícula que me fustigasse, como se nelas procurasse a minha punição pela espera em vão, sem sentido, que eu tão conscientemente percebo. Ninguém escutaria os meus gritos de desespero, de frio, de cansaço, ninguém me veria baixar os braços, desistir. Porque eu iria esperar por ti, no mesmo sítio de sempre, dia após dia, anos após ano, envelhecendo à espera de quem nunca vem! Porque se um dia vier, eu quero estar ali, esperando! Seja isso amanhã, ou depois da eternidade! Decididamente, talvez eu esperasse mesmo por ti, no mesmo sítio de sempre, chuva após chuva, lua após lua!

domingo, 21 de abril de 2013

Sonnet 17, by Pablo de Neruda

I do not love you as if you were salt-rose, or topaz
or the arrow of carnations the fire shoots off.

I love you as certain dark things are to be loved,
in secret, between shadow and the soul.

I love you as the plant that never blooms
but carries in itself the light of hidden flowers;
thanks to your love a certain solid fragrance,
risen from the earth, lives darkly in my body.

I love you without knowing how, or when, or from where,
I love you simply, without problems or pride:
I love you in this way
because I don't know any other way of loving
but this, in which there is no I nor you,
so intimate that your hand upon my chest is my hand,
so intimate that when I fall asleep
it is your eyes that close.

domingo, 24 de março de 2013

... a saudade...

Há alturas em que as palavras deixam de ser necessárias: basta um olhar, um sorriso, um momento intemporal, perdido num dia inteiro; podem passar dias, semanas, meses, pode o tempo mudar, chover, nevar; mas a visão é sempre a mesma! A saudade não dá descanso, a saudade não dorme, a saudade não muda, o cheiro está ali, em tudo, saboreia-se ao dobrar da esquina. Quem me dera...

sábado, 16 de março de 2013

...moribundo, mas vivo

... estou em casa, mas estou só... agonio a presença de quem não quer ou pode estar aqui comigo, mas eu sei que estaria... estou bem, mas a casa está despida... a alma ressente-se da dor, dos passos aos contrário, na direcção oposta, sem destino... nada faz sentido! sobrevivo, na medida em que tenho que escapar à depressão... marinheiro sozinho, ao largo, ao mar, ao vento, à tempestade... desgastado pela dor diária da indiferença... moribundo, mas vivo...

sábado, 2 de março de 2013

Fui a casa...

Fui a casa! Subi às montanhas dos meus sonhos, molhei os pés nos lagos que alimentam as minhas lágrimas, entrei nos castelos onde vivo e me escondo, protegido de tudo e de mim! Admirei a água, água infinita, lagos e lagos, sol, neve lá ao cimo! Frio nas mãos, sorriso nos lábios, alma deliciada com o paraíso das imagens, do momento, de todos os breves segundos sozinho, pensando em mim e no passado. Caminhei sobre mim, alcancei o outro lado, fui buscar a força que precisava para levantar a delicadeza do momento e seguir o meu trilho. Senti-me descolar, cheio de força, nostálgico, e deixei para trás rasgos de pensamentos, escritos na água, momentos deliciosos vividos na sombra do infinito, irrepetíveis, inesquecíveis! Água fria e deliciosa, purificadora do estado da alma, cansada, desiludida e fraca. Castelos de pedra, a mesma do coração, erguidos algures no paraíso das paisagens, dos vales, encaixados entre pura água, azul e cristalina. Montanhas, com os cumes cobertos pelas nuvens protectoras, lá em cima, longe de tudo, mas onde o verbo se propaga à velocidade do sorriso, do sonho, do momento, com vista sobre o mundo, o nosso paraíso. Estive em casa, onde cada canto esconde uma história, um sorriso, um momento passado, carregado de rostos familiares, belos, admiráveis! Pequenos e breves momentos de inexplicável delicadeza onde a sensação de refúgio acalenta a alma, revigorada. Já sei onde moro!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

E naveguei...

Já tinha passado tempo demais, desde a última vez que andei de barco! Sentia aquele vazio no estômago, a falta da sensação causada pelo furar das ondas, pelo som do mar, rasgado pela vontade do barco! Hoje levantei as velas e naveguei: parti sem destino, deixei-me ir ao sabor das vagas, do vento, fixando o horizonte sem expectativas, sem vontade de lá chegar, enganado-me a mim próprio, claro! Afinal, quem me dera lá chegar! Sentei-me, fechei os olhos, e fiquei entretido, relaxado, a ver a viagem! Fui um mero espectador da distância percorrida, do vento que me levava, das ondas que se transformavam em lágrimas, tão salgadas quanto as minhas! Sorri, ri-me, dei gargalhadas, num misto de loucura e sanidade desejadas, dancei com os meus pensamentos, afastei os meus fantasmas, tentei encontrar alguns minutos de paz! E naveguei, perdi-me mar adentro, escondi o meu barco atrás de ondas enormes que iam ficando para trás; procurei sempre aproximar-me do meu horizonte, escondi o meu medo debaixo do banco molhado e frio; e eis que na ponta das mãos geladas e enrugadas pelo frio, senti a minha manta, feita de sonhos, aconchegar-me e, a pouco e pouco, esquecer aquele frio. Continuei a navegar: sorridente, ansioso, olhos postos no horizonte, tranquilo. E hoje fui feliz!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Aterrar

Passaram-se dias, semanas, momentos mais tristes, menos felizes; dias em que o sol deu lugar à escuridão, e o calor deu lugar ao vento gelado que corta as faces! Foram dias em que o Inverno reinou na alma mais recatada de todas, e o mar picou a onda mais tranquila, elevando-a acima do horizonte! No meio da lua, do mar e da saudade, há sempre uma luz que se ilumina, que aquece a escuridão e tranquiliza a alma encharcada, não de mar, mas de lágrima salgada. Farol perdido algures lá no mar, virado à solidão do espírito, ao momento que passou, desgastado na ternura dos momentos, dos segundos, do tempo que ousava não passar! Farol que se ilumina, rasgando núvens, tempestades, ofuscando raios e calando trovões, dando o sorriso que brilhava no rosto contido nos sonhos! Farol, porto de abrigo, ancoradouro da alma perdida nos dias, semanas, nos momentos mais tristes, menos felizes! Alma purificada pela lágrima que rolou, qual rio, mar, oceano, sonho cavalgado na crista da onda, levado pela maré que move a lua e o momento! Aterrar...

domingo, 20 de janeiro de 2013

No intervalo dos segundos

No intervalo dos segundos perdi-me em ti: no teu sorriso, no teu olhar, naquele teu movimento único que faz perceber o que sentes e me deixa entender-te! No intervalo dos segundos que passei junto de ti, aprendi a perceber que o que nos une é superior ao sol que se põe, e à lua que aparece lá por cima das ondas do horizonte! No intervalo dos segundos que ousei partilhar contigo, recebi amizade, carinho, respeito, atenção e um olhar quente e enternecedor! No intervalo dos segundos que te dediquei, transformei todos os momentos em sequências perfeitas, de mar, de paisagem, de carinho, de atenção! No intervalo dos segundos afastado de ti, criei sequências de sonhos prontos a realizar, no calor do beijo que nos delicia a alma! No intervalo dos segundos em que estive perto de ti, perto para te admirar, para te cheirar, para te perceber, para me encantar com o teu olhar, aprendi a querer-te mais, a desejar-te nas noites de solidão, querendo que estivesses no quarto ao lado! No intervalo dos segundos, fiz milhões de coisas: por ti! E isto porque passei cada segundo amando-te!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Eu tenho um tesouro

Eu tenho um tesouro, um pequeno tesouro!
Encontrei-o perdido, numa praia deserta pelo inverno, e brilhava ao longe, molhado pelo mar que teimava em enterrá-lo ainda mais! Senti-o ali só, perdido, tal como eu. Deliciei-me nas suas pedras, no seu brilho, no seu pedaço de sono sem sentido! Não sei que faria ali, mas sei que comigo ficará! 
Apertei o meu tesouro contra mim, e senti a sua força, o seu passado, o sorriso de muitos na sua miragem! Deliciei-me com o meu achado, senti-me rico, diferente, consegui sorrir!
Agarrei-me ao meu tesouro, como se nada mais existisse na minha vida. E existirá? São as coisas pequenas, os detalhes de vidas complicadas, e tristes, que fazem a diferença! De todo um dia, de toda uma vida, de todos os momentos que me fizeram vibrar, receber este tesouro fez toda a diferença! O mar já me deu muitas alegrias, muita tranquilidade, muitas linhas escritas e sonhadas! Mas eu nunca pude trazer a sua água para casa! E hoje trouxe algo que ele devolveu, ali mesmo à minha passagem!
O mar devolveu-me um sonho em forma de tesouro, que eu seguro junto ao meu coração, na esperança que um dia o venham buscar! Sou eu quem o tem, mas o tesouro é meu, foi o mar que mo deu!