terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

E naveguei...

Já tinha passado tempo demais, desde a última vez que andei de barco! Sentia aquele vazio no estômago, a falta da sensação causada pelo furar das ondas, pelo som do mar, rasgado pela vontade do barco! Hoje levantei as velas e naveguei: parti sem destino, deixei-me ir ao sabor das vagas, do vento, fixando o horizonte sem expectativas, sem vontade de lá chegar, enganado-me a mim próprio, claro! Afinal, quem me dera lá chegar! Sentei-me, fechei os olhos, e fiquei entretido, relaxado, a ver a viagem! Fui um mero espectador da distância percorrida, do vento que me levava, das ondas que se transformavam em lágrimas, tão salgadas quanto as minhas! Sorri, ri-me, dei gargalhadas, num misto de loucura e sanidade desejadas, dancei com os meus pensamentos, afastei os meus fantasmas, tentei encontrar alguns minutos de paz! E naveguei, perdi-me mar adentro, escondi o meu barco atrás de ondas enormes que iam ficando para trás; procurei sempre aproximar-me do meu horizonte, escondi o meu medo debaixo do banco molhado e frio; e eis que na ponta das mãos geladas e enrugadas pelo frio, senti a minha manta, feita de sonhos, aconchegar-me e, a pouco e pouco, esquecer aquele frio. Continuei a navegar: sorridente, ansioso, olhos postos no horizonte, tranquilo. E hoje fui feliz!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Aterrar

Passaram-se dias, semanas, momentos mais tristes, menos felizes; dias em que o sol deu lugar à escuridão, e o calor deu lugar ao vento gelado que corta as faces! Foram dias em que o Inverno reinou na alma mais recatada de todas, e o mar picou a onda mais tranquila, elevando-a acima do horizonte! No meio da lua, do mar e da saudade, há sempre uma luz que se ilumina, que aquece a escuridão e tranquiliza a alma encharcada, não de mar, mas de lágrima salgada. Farol perdido algures lá no mar, virado à solidão do espírito, ao momento que passou, desgastado na ternura dos momentos, dos segundos, do tempo que ousava não passar! Farol que se ilumina, rasgando núvens, tempestades, ofuscando raios e calando trovões, dando o sorriso que brilhava no rosto contido nos sonhos! Farol, porto de abrigo, ancoradouro da alma perdida nos dias, semanas, nos momentos mais tristes, menos felizes! Alma purificada pela lágrima que rolou, qual rio, mar, oceano, sonho cavalgado na crista da onda, levado pela maré que move a lua e o momento! Aterrar...