domingo, 24 de março de 2013

... a saudade...

Há alturas em que as palavras deixam de ser necessárias: basta um olhar, um sorriso, um momento intemporal, perdido num dia inteiro; podem passar dias, semanas, meses, pode o tempo mudar, chover, nevar; mas a visão é sempre a mesma! A saudade não dá descanso, a saudade não dorme, a saudade não muda, o cheiro está ali, em tudo, saboreia-se ao dobrar da esquina. Quem me dera...

sábado, 16 de março de 2013

...moribundo, mas vivo

... estou em casa, mas estou só... agonio a presença de quem não quer ou pode estar aqui comigo, mas eu sei que estaria... estou bem, mas a casa está despida... a alma ressente-se da dor, dos passos aos contrário, na direcção oposta, sem destino... nada faz sentido! sobrevivo, na medida em que tenho que escapar à depressão... marinheiro sozinho, ao largo, ao mar, ao vento, à tempestade... desgastado pela dor diária da indiferença... moribundo, mas vivo...

sábado, 2 de março de 2013

Fui a casa...

Fui a casa! Subi às montanhas dos meus sonhos, molhei os pés nos lagos que alimentam as minhas lágrimas, entrei nos castelos onde vivo e me escondo, protegido de tudo e de mim! Admirei a água, água infinita, lagos e lagos, sol, neve lá ao cimo! Frio nas mãos, sorriso nos lábios, alma deliciada com o paraíso das imagens, do momento, de todos os breves segundos sozinho, pensando em mim e no passado. Caminhei sobre mim, alcancei o outro lado, fui buscar a força que precisava para levantar a delicadeza do momento e seguir o meu trilho. Senti-me descolar, cheio de força, nostálgico, e deixei para trás rasgos de pensamentos, escritos na água, momentos deliciosos vividos na sombra do infinito, irrepetíveis, inesquecíveis! Água fria e deliciosa, purificadora do estado da alma, cansada, desiludida e fraca. Castelos de pedra, a mesma do coração, erguidos algures no paraíso das paisagens, dos vales, encaixados entre pura água, azul e cristalina. Montanhas, com os cumes cobertos pelas nuvens protectoras, lá em cima, longe de tudo, mas onde o verbo se propaga à velocidade do sorriso, do sonho, do momento, com vista sobre o mundo, o nosso paraíso. Estive em casa, onde cada canto esconde uma história, um sorriso, um momento passado, carregado de rostos familiares, belos, admiráveis! Pequenos e breves momentos de inexplicável delicadeza onde a sensação de refúgio acalenta a alma, revigorada. Já sei onde moro!