segunda-feira, 6 de maio de 2013

Talvez eu esperasse por ti...

Talvez eu esperasse por ti: no mesmo sítio de sempre, dia após dia, ano após ano! Sentiria a lua e a chuva; sentir-me-ia envelhecendo com o tempo, enrugando feições e perdendo a visão; mas nunca a alma ou a serenidade! Tentaria nunca perder a noção da relatividade do momento, das horas que demoram meses a passar! Tentaria não ceder à memória já velha e cansada! Afinal, vive a minha alma da doce recordação do teu sorriso! E eu espero, porque esse é o meu destino! Esperar, por quem nunca vem! Ter a fé que preciso para aguentar a intempérie que me assola a alma e me lava e leva as emoções e a razão, sofrendo desmesuradamente, qual veleiro perdido no meio da tormenta, sem mastros, despido, sozinho, numa deriva perigosa! E eu ali: de braços abertos, esticados para tocar lá longe, e os olhos postos lá no alto de onde a chuva cai, saboreando cada gotícula que me fustigasse, como se nelas procurasse a minha punição pela espera em vão, sem sentido, que eu tão conscientemente percebo. Ninguém escutaria os meus gritos de desespero, de frio, de cansaço, ninguém me veria baixar os braços, desistir. Porque eu iria esperar por ti, no mesmo sítio de sempre, dia após dia, anos após ano, envelhecendo à espera de quem nunca vem! Porque se um dia vier, eu quero estar ali, esperando! Seja isso amanhã, ou depois da eternidade! Decididamente, talvez eu esperasse mesmo por ti, no mesmo sítio de sempre, chuva após chuva, lua após lua!