quarta-feira, 29 de abril de 2015

... as nossas viagens interestelares

Os dias passam, sem olhar para trás, e a nossa vida cada vez mais efémera, mais rápida, sem o sentido que um dia quisemos agarrar. Quiséssemos sempre assim: reviver momentos e sensações, sentir cheiros e recordar olhares atirados de soslaio, à velocidade da luz, perceptíveis apenas àqueles que acham saber o que querem. Esperamos: sentados a observar o nosso horizonte, sentindo na ponta dos dedos o frio do futuro desconhecido que nos assusta e pelo qual ansiamos sem hesitação. São milhares de faces desconhecidas, de sons memoráveis, de pedaços de gestos e olhares que compõem a nossa alma, e dão alento às mudanças do futuro. O desconhecido sempre nos surpreende, sempre nos fascina. Aqui e ali, sempre à espera. Fascínio. Medo. Ansiedade. Olhares carregados de lágrimas, mãos presas numa sensação de protecção do frio, ou daquilo que, à nossa volta, não controlamos. São sensações de vazio. São pedaços de nada. Virados ao horizonte, sem noção da mudança que por dentro nos devora e torna mais duros, e desmistifica um sorriso, outrora humilde e quiçá inesquecível (para muitos). Estamos sempre "aqui", sem saber onde está a nossa mente, perdidos nessa incapacidade de acompanhar os nossos devaneios mentais, os nossos sonhos acordados, as nossas viagens interestelares pelas galáxias de um subconsciente inexplicável. Mas delicioso: tão delicioso que nos faz viver, e acordar. E sorrir, e, essencialmente, sonhar, sabendo esperar.