sexta-feira, 2 de junho de 2017

Entre Chopin, a Alma e a Saudade

Porque há manhãs em que a saudade é uma miragem do passado, daqueles momentos inesquecíveis, que se eternizaram na alma, e teimam em recordar, dia após dia, sol após sol. A saudade atrofia tudo: atrofia os olhos, que se encharcam em lágrimas que lavam, mas não curam; atrofia o simples pensamento, fazendo reviver sorrisos; atrofia o adormecer, porque os pensamentos vagueiam pelas notas de Chopin. E assim se percebe muita coisa. Assim se cresce, desiludindo, falhando, mesmo quando o amor se tornou único. Assim se ganha medo à saudade. Assim nos refugiamos em Chopin, porque sabemos que ali encontramos um pouco daquilo que sabemos chorar. E sorrimos, de olhos fechados, porque sentimos e cheiramos. E Chopin tranquiliza a alma.