segunda-feira, 5 de junho de 2017

Luto na ingratidão

Procuro sempre esquecer quem já não se quer lembrar de mim. Mas é aí que tudo complica. É nesse momento que se percebe que há quem seja inesquecível. É nesse momento que se percebe que há quem seja imprescindível. E é também nesse mesmo momento que se percebe que são raros aqueles que se tornam inesquecíveis e imprescindíveis. E agora? Qual o lado da ponte que se afigurará como a saída que se procura quando não se quer encontrar? Como se dorme? Como se fecha os olhos e se impede a viagem até cada um daqueles milésimos de segundos? Como é que se acorda sem a agonia de sentir a distância? Sinceramente, não sei. Talvez a resposta esteja na mágoa que nos dilacera lentamente. Não há luto que resulte. Não há luto que impeça o sentimento. Não há luto que trave o pensamento. Mas também não lutamos contra quem já não se quer lembrar de nós. A ingratidão, por vezes, expressa-se de forma peculiar.